domingo, 21 de março de 2010

#11 Nova Liderança | THE TRUE NORTH

No último episódio [...]

“Acima de tudo, por vivermos numa pós modernidade louca uma das características que faz um líder [ou uma pessoa] sair da massa [os 95% que processam] e ir para o grupo de pensantes que lideram as multidões [5%] é sua disposição de se agarrar aos seus valores e convicções e tê-las bem claras e relembradas a todo momento!! Olha que forte! As pessoas que tem coragem de viver em seus valores, lutar e se preciso morrer por eles são as que influencia e puxam a multidão! E hoje como é escasso ver pessoas primeiro que tenham valores e convicções definidas – que sabem para o que vivem, quanto mais dando sangue, suor e lagrimas [palavras do discurso de Churchill] por eles.”


Episódio de hoje: O VERDADEIRO NORTE

Cada dia mais fica complicado achar pessoas que são autênticas – que sabem a que vieram, tem convicções e valores bem estabelecidos e não vão mudar seus sonhos/ideais de acordo com a moda ou a próxima tendência. E no meio desse deserto de autenticidade [gerado até pela facilidade de copia, pela facilidade de acesso de informação nos meios de comunicação – não que isso seja ruim, só não é bem utilizado as vezes] nós, lideres, precisamos achar o verdadeiro norte e potencializarmos resultados a partir daí.


Uma das edições da revista “Management” de 2007 traz uma entrevista com Bill George muito boa sobre esse assunto [a entrevista é de A. J. Vogl, editor da The Conference Board Review], onde ele destaca “a coerência do líder com seus valores e sua história de vida”. A verdade é que lideres que deixam um legado [sim o sucesso do líder não é determinado por como ele começa mas como ele termina o provérbio e o que ele deixa pros sucessores dele/os sucessores que ele deixa] são pessoas que tiveram o que George chama de “experiência transformadora” – obstáculos, dificuldades que enfrentaram, mentores que encontraram no meio da jornada, etc. A verdade é, que de alguma forma a vida sacudiu [e sacode] esses indivíduos fazendo a ficha cair e eles acordarem para a responsabilidade que têm, já não podendo mais viver uma vidinha xula e rotineira mas querem escrever história.


Lideres que acharam o verdadeiro norte são pessoas que sabem o valor de pessoas [sim os cifrões foram deixados de lado, hoje se fala muito mais de uma liderança que valoriza pessoas do que resultados acredite se puder]. Uma vez ouvi e guardei pra vida toda que “as pessoas não importam o que você sabe até saberem que você se importa” e HECK YEAH que verdade! As pessoas querem saber se você se preocupa com elas, se você se interessa pelo o que elas fazem ou só nas metas atingidas ou quantos dias faltam para atingí-las. Elas não querem um líder cybercop mas alguém com quem elas possam sentar e bater um papo, tomar um café, sonhar junto e até dar umas risadas.


Verdadeiros lideres estão preocupados em desenvolver as pessoas ao seu redor, por todo o potencial delas pra fora e ver o ouro que há em cada um por mais trashed que esse um parece ser/estar. As pessoas precisam primeiro descobrir o potencial que tem e ninguém melhor do que seu líder pra ajudar. Elas precisam ser motivadas e capacitadas. Não adianta nada darmos uma lista de “coisas a fazer” pra nossos subordinados e colegas de trabalho e não darmos os recursos necessários para eles desenvolverem isso. As pessoas precisam saber que tem alguém torcendo por elas e que acredita no potencial delas e que vai tomar a responsabilidade de assumir riscos e fazer as tarefas cada vez mais claras para elas. Elas “não querem ser dirigidas; procuram significado” como bem coloca George.


Se você motiva e capacita as pessoas ao seu redor, se elas sabem que você, como líder, dará tudo de si pra posicioná-las pra vencer, elas não hesitarão em dar tudo de si no trabalho. Precisamos parar de “coisificar” as pessoas e tratá-las pelo que elas são. E se não somos autênticos a ponto de não conseguirmos liderar nem nossa própria vida dificilmente conseguiremos alcançar as pessoas [no mais profundo delas]. Você não precisa adquirir habilidades especiais para isso, nem ficar forçando pra coisa acontecer. Comece do começo “com quem você é, se você consegue ser verdadeiro para com o que realmente é”.


Os valores de um líder precisam ser parte real da sua história de vida e estarem firmemente estabelecidos. E, uma das coisas que vai testar se suas convicções andam fortes e marching on é a pressão. Quando somos sacudidos e apertados por todos os lados, ângulos e esferas as coisas mais grotescas e mais surpreendentes saem da gente. E é ai que começamos a avaliar o que temos por dentro [porque o que tem por dentro – a real motivação – é o que realmente importa]. Não posso fazer uma lista de valores que cada líder não pode deixar de ter, mas como bem colocou George podemos “alertá-los de que não sabemos dos próprios valores até sermos testados e pressionados”.


Pode-se dizer então depois de todos esses parágrafos e considerações que o líder deve buscar seu verdadeiro norte – seus valores, motivações reais, papel na história, experiência transformadora – se quer ser um líder acima da media [porque na média já tem muita gente vivendo né? E ser medíocre é muito sem graça]. Líderes que buscam seu verdadeiro “quê” sabem que precisam por valor nas pessoas ao seu redor [e isso é difícil porque pessoas são complicadas mas Jesus ajuda!] e serem verdadeiros.


“A verdadeira medida de nosso valor dependerá não de um curriculum vitae ou da herança que deixamos, mas do espírito que passamos aos outros.” [P. Yancey]


Vamos, então, buscar o caminho sobremodo excelente e trilhar nele por mais árduo que seja.

Até o próximo episódio.

Deh.


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Bill George, 63 anos, o homem que comandou a revolução dos marca passos na Medtronic e atual professor de Harvard. Autor de livros como “True North” [O Verdadeiro Norte] e “Authentic Leadership” [Liderança Autêntica]. Premiado várias vezes por ser uma personalidade muito influente no mundo dos negócios.

[fonte HSM MANAGEMENT 64 | SETEMBRO/OUTUBRO 2007]


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Just for fun

No post anterior comentei sobre “dona Edith” e pra quem não sabe e precisa de um break pra rir ai vai o link pra você entender alguns por cento de minhas piadas!

[http://www.youtube.com/watch?v=RO8uiwx2qhI]


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DEHblogário | mais que um dicionário, uma interpretação!

HECK YEAH – muito ruim traduzir isso! Alguém me ajuda? É tipo “oh yeah”, “come on!”, ow – para os mineiros, vei com certeza – para os capixabas, já é – para os cariocas! Expressão de afirmar com empolgação o que foi dito.

cybercop – um robô muito moderno. Tipo o robô mais moderno que existe não pode substituir a humanidade e a individualidade e os relacionamentos.

trashed – a idéia é “trash” = lixo, as pessoas que são mais lixo, mais ferradas, mais cheias de podre segundo nossa concepção.

marching on – marchando avante, pra frente em movimento.

break – intervalo, momento de folga.

3 comentários:

  1. Ótimo texto!!!
    Isso aee Deh!

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  2. "Heck yeah" é uma versão PG-13 de "Hell yeah"(que o Will Smith adora falar tanto nos seus filmes :0). Como muitos americanos não curtem o palavrão, palavras pesadas, ou que zombam de Deus, eles inventão versões mais sanitárias como essa. Outro exemplo é o famoso "o my Gosh". Embora a origem deste seja naquele lance de não usar o nome de Deus em vão... daí o generico "Gosh". :0)

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  3. oops... inventão = inventam. :0)

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